O Silêncio

O destino roubou minha audição quando eu tinha 13 anos de idade, levando com ele todos os sons do mundo. Levou, de uma vez só, todas as notas que compõem as canções. Silenciou todo o alfabeto. E calou todas as vozes que eu conhecia.

Então, eu precisei aprender a ler lábios. Bocas que se moviam intensamente, sem que delas escapasse som algum. Bocas mudas que pareciam não me dizer nada. Com o tempo, eu fui aprendendo a ler olhos. Olhares constrangidos, pesarosos, impacientes, que pareciam me dizer muita coisa. Coisas que meus olhos não queriam ouvir.

Os anos se passaram e eu, enfim, aceitei a minha vida silente. Foi então, que as palavras mudas ganharam forma, ganharam vida e passaram a dançar para mim. Saindo das bocas articuladas, rodopiando bem na minha frente. As notas das canções começaram a chegar em ondas, reverberando pelo chão, pelas paredes, alcançando não mais meus ouvidos, mas meu corpo todo.

A verdade é que foi controlando o barulho constante que havia dentro de mim que eu, finalmente, consegui ouvir o silêncio.

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