Um Simples Desejo

De repente, um ponto de luz despenca do céu diante dos meus olhos. “É uma estrela cadente! Um pedido, tenho que fazer um pedido.” Fecho os olhos e me vem à cabeça a altruísta intenção de pedir o fim da fome no mundo. “Não, não acredito que uma estrela cadente seja capaz de lidar com pedidos tão grandes. Hum. Quem sabe, que eu seja feliz? Não, muito vago. Muito amplo. Talvez eu simplesmente deva pedir que meu dia amanhã seja bom. Não, muito simples. Seria um desperdício de desejo. Meu Deus, o que eu peço?”, pergunto com as mãos em oração e os olhos no céu estrelado. Observo os pontinhos brilhantes estáticos em seus lugares e me lembro que já faz uns cinco minutos que presenciei o milagre astronômico. “Caramba, quanto tempo será que a gente tem pra fazer o pedido? Será que ela ainda me ouve? Droga, acho que não vale mais, perdi minha chance.” Vou para a cama irritado. No dia seguinte, uma sucessão de maus momentos me lembram a todo instante o desejo desperdiçado. A máquina de café quebrada, o pneu furado no caminho para o trabalho, o ronco descabido no meio da reunião, a perda dos arquivos após uma pane no computador, a pimenta dentro do olho na hora do almoço, os dois pratos quebrados após o jantar. Quando chego no quarto, coloco o banquinho em frente à janela e fico encarando o céu, com o semblante arrependido, pedindo perdão ao plano astral e aguardando a minha segunda chance de sorte. Mas, a estrela não cai. Caio eu, do banquinho, e acerto a cabeça no armário, o último acontecimento do dia a confirmar que talvez pedir um bom dia não fosse um desperdício de desejo.

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